terça-feira, 22 de maio de 2018

Ordem na casa

Nota: este texto foi originalmente escrito em maio de 2011, e (re)descoberto na minha caixa de rascunhos sete anos depois.

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Pela primeira vez em muito tempo tive uma discussão aberta e sincera comigo mesma. Não foi repentina nem intencional, apenas aconteceu por outros motivos.

A questão é: por que a vida tem que ser tão complicada? Não seria tão mais fácil se conseguíssemos lidar com nossas questões interiores abertamente? Por que as pessoas têm que fazer "joguinhos" o tempo todo? Ouvi numa aula de semiótica que ouvimos cerca de 200 mentiras por dia e contamos uma a cada 20 minutos. E li em algum lugar esses tempos que 'amizade não é a mesma coisa que ter o direito de dizer necessariamente a "verdade" ao amigo".

Mas, então, o que é a verdade? É a realidade ou é o nosso ponto de vista? E o que é a realidade? Não é apenas nosso ponto de vista? oh man.

Anyway, é importante organizar a "casa interna". Colocar cada coisa no seu devido lugar, e jogar outras fora. Porque não adianta ter as coisas arrumadas se são indesejáveis ou nos remetem a más lembranças e pensamentos. E como é bom - explosão (como diria Lispector) - livrar-nos de tudo que nos faz mal. A melhor coisa que eu venho tentando fazer, nos últimos tempos - com sucesso, é me afastar de tudo que não me faz bem. Aos poucos a gente vai ficando até mais leve e mais autônoma pra tomar conta de todos os nossos "eu's".

Cada parte nossa é um "eu". É extrovertida, é séria, é "nem aí", é metódica, é interessada, é indiferente. É muito mais que isso também. Cabe a nós nos adequarmos os nossos tantos "eu's" a cada situação/local/pessoa que nos melhor convier.

De qualquer forma, eu já tô quase perdendo o foco aqui. Mas não tem problema. Tchau!

sábado, 19 de maio de 2018

Meu aniversário


70.080 horas. 2.920 dias. 96 meses. 8 anos. E 21 textos depois.

No que estava pensando, ao criar esse blog, nem me lembro mais. Hoje ele completa oito anos! Se fosse um filho, já estaria na segunda série do colégio.

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Mas quem era eu, oito anos atrás? Não que importe pra muita gente, mas vamos lá:

Uma adolescente de 19 anos. Com tantos anseios e dúvidas intrínsecas àquela idade. Tentando se encontrar! Foi morar em São Paulo para escapar dos próprios fantasmas.

Amor platônico, naquela idade. Mas poderia não ter sido, se dependesse dela.

As melhores amigas do mundo, que ainda são! Aspirante a jornalista, a qual se tornou.

Lembra até da festa de aniversário: um bolinho em casa, comprado pela mãe. Foi bom. No mesmo dia (à noite), criara este blog! Quem sabe pra abrir uma nova página na vida.

De repente só devaneios próprios. Ou curiosidades que encontro por acaso. Ou apenas pitacos sobre a vida. Quem sabe, então, umas reflexões do tipo "sorte do dia" do Orkut”, disse, naquele 19 de maio. 

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Como eu cheguei até aqui

Ao olhar pra trás, enxergo duas versões de mim. Aquela da vida real, pensativa, sem muita margem pra conversa. A outra, essa que vos fala(va). Uma mente fervorosa, quase difícil de crer que eram só 19 anos. Escrita despretensiosa, honesta e límpida. Profunda e humorada na medida. Quer dizer, foi assim que eu descrevi a mim própria, naquela época.

Mas quando eu criei esse blog, essa coisa toda não era novidade. Meu primeiro (blog, que fique muito claro) foi aos 12 anos. Uma das minhas primeiras postagens foi a seguinte:

“Veremos se funciona mesmo...
não gosto de efetuar cadastros em sites
como estes, mas, para meu blog sou capaz de
qualquer loucura!!! Beijinho”

Os meus textos nunca foram uma constante. Até que parei de escrever de uma vez por todas. Por cinco anos! Como pude? Será que os nossos pensamentos se fragmentam com o tempo? Será que a vontade de fazer a nossa vida decolar faz com que as ideias se percam no ar?
 Vivemos em um mundo onde expomos a nossa vida cada vez mais, e as nossas ideias cada vez menos.

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Mas, voltando ao que interessa, hoje é meu aniversário. E do meu blog! E esse post pode até não fazer sentido pra quem lê, mas é um compromisso comigo própria para que eu não perca o fio da meada: da forma como eu conduzo a minha vida. E para que eu não me esqueça de escrever.

Oito anos depois! Mais uma vez, ou muitas… cá estou! Sem direção… de volta!



segunda-feira, 14 de maio de 2018

O rosto dos outros


Eu gosto de andar por aí observando rostos na rua. Rostos alegres. Rostos que choram. Rostos tranquilos. Ou pensativos. Acredito que seja uma das formas mais belas de viver. Porque a beleza humana vai além da forma propriamente dita. Encontramo-nas nos trejeitos, nos traços, expressões, cada qual com o seu jeito. Está nas expressões, tão abstratas que sempre pergunto-me de onde aquele rosto vem, para onde vai… por onde andou?

Da janela do ônibus, numa tardezinha chuvosa, observo a menina. Anda com sua amiga, olho no olho. Elas conversam sobre algo engraçado e dão uma gargalhada. Daquelas que soltamos, despreocupados, no auge da juventude. Elas têm o passo apressado, como quem tem pressa de viver. Devem estar a caminho de um encontro com os amigos, talvez. Na linha do horizonte, desaparecem. Um pouco a frente, é a próxima parada. Desço do ônibus e prossigo com minha viagem. Agora a pé.

Um senhor de seus setenta anos, ali mais adiante, anda como quem sabe exatamente qual a moral da vida. Olhar sério, sensato. Daqueles que carregam grandes incumbências: sua casa, esposa, filhos, netos. Quem sabe bisnetos. Pessoas a quem dedica exímio cuidado e amor. Será que ele realizara os sonhos de uma vida (esta que está mais próxima do fim do que do início)? Dobro à esquerda e o perco de vista.

O rosto dos outros é como um espelho ao contrário. Eu gosto de observá-los. E tenho certa maestria em traduzi-los em emoções e pensamentos. Reconheço dores e alegrias. Absorvo a tensão, aprecio a descontração. Gosto de existir e de estar presente, em contato com o outro. Ou não. Eu também gosto de apenas observar. Afinal, mesmo sem dizer nada, um rosto conta histórias.

Pessoas têm rosto, coração e lembranças. As boas, as ruins e as que passaram, mas que já não são tão verdadeiras assim.

Vou andando pela rua, quase chegando. Um rosto me sorri. Sorrio de volta. E a vida segue.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

A segunda língua

Escrevo. E já não escrevo mais. As palavras saem com sacrifício, como se fossem projetadas por uma catapulta de vento instalada n’alma. É angustiante admitir, mas admito: parei de escrever. Quando nunca deveria ter parado. Por quê? Nem eu mesma sei.

“O que acontece é que não há a hora exata para as palavras”, foram minhas palavras, seis anos atrás. Hoje eu sei o que talvez não soubesse antes: eu vivo de palavras. Vivo com elas e vivo por elas; sempre vivi. A força das palavras, a força que ela traz a quem as escreve, é incomensurável.

Escrevo, de olhos abertos. Vou até a janela espiar. Olho pra cima, a brisa encosta no rosto. Arrepio nos braços. “Estou aqui! Estou viva.” Que sensação maravilhosa. É como uma injeção de heroína no seu ápice e embalada por uma música que diz, “...just feels good. Even the sunshine’s feelin’ my vibe”. É, as palavras voltaram.

Você tem reparado como a vida anda complexa, ultimamente? É bom focar no que importa. No exercício da mente. Sem hesitar, sem pensar demasiado. Sem porquês. Apenas porque sim.

Hoje, eu vivo numa segunda língua. Eu penso na segunda língua e a utilizo o tempo inteiro. Cujas palavras não são as mesmas. Não soam com a graça a que me habituei. Não se escrevem igual. Mas eu decidi que vou traduzi-la na ponta dos dedos, retomar o controle. Afinal, eu ainda estou aqui. E eu escrevo.