domingo, 20 de junho de 2010

Faz todo sentido.

Seis da manhã. Onze da noite. Meu dia começa e termina, respectivamente, nesses horários. Às vezes, sinto-me como se estivesse presa a um certo meme, a um certo ritual, a uma certa imposição da qual não estou apta a me livrar. As horas restantes são nas quais desligo do meu eu e vou para outro plano, seja lá qual for. Só não sei se, lá, sou quem penso ser, ou quem gostaria que fosse. Se eu fosse eu, como diria Martha Medeiros, faria qualquer coisa que quisesse a qualquer horário. Mas, descobri que nem sempre é tão fácil ser eu mesma a toda hora. Se eu fosse "eu" cada vez que quisesse, seria (muito) menos tolerante, com os outros e comigo mesma. Seria mais livre para rir do que quisesse. Seria mais tola ao dizer o que penso a quem acha que eu sou tola a ponto de crer em certas tolices. Não gostaria que certos dias acabassem, e esperaria ansiosamente pela próxima manhã. Se eu fosse quem penso que deveria ser, me renderia mais facilmente ao desconhecido. Exporia mais meus defeitos, afinal não preciso de quem não os aceita. Me deixaria, também, enganar mais vezes, porque a vida sem conflitos não vale a pena. Tentaria me libertar da loucura que corrói meu cérebro a ponto deste autoflagelar-se e reprimir-se por certas situações... Se eu fosse o eu que gostaria, esse pseudo-eu, não falaria quase nada. Só o necessário para me comunicar.

É. Definitivamente, ser eu é muito mais monótono e (totalmente) sem sentido do que eu pensava. De qualquer maneira, vivo. Reconheço. Mas quase desconheço quem sou. Gosto disso.

"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar." Clarice Lispector

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pelo direito de ser brasileiro

A cidade esquece sua rotina e pára em plena terça-feira à tarde. As pessoas ficam incapazes de deslocar-se com comodidade, devido ao grande fluxo de gente e carro. A Av. Paulista torna-se um palco verde-amarelo onde a principal atração é a pressa. Sim, a pressa por sair dali. Não necessariamente "dali", mas do caos. Nesse dia, a afobação dos cidadãos em chegar o mais rápido possível a seu destino é inigualável. Igualmente ao empenho deles em organizar uma "cerimônia" com direito a comes e bebes, bandeirinhas do Brasil e vuvuzelas, e em reunir sua turma para o tão esperado momento em que o centro das atenções - finalmente - é o continente mais pobre do mundo. Ah, não... me enganei. É a seleção brasileira de futebol!

O grande porém, na verdade, é ter a certeza de que tanta mobilização, capaz de enfrentar trânsito e multidões, faça chuva ou faça sol, acontece apenas de quatro em quatro anos. Pior: acontece tão e somente para assistir aos jogos do Brasil. E não, não estou sugerindo que essa repentina vontade de ser patriota mostrando orgulho e apoio ao país tem efeito negativo (longe de mim dizer isso!). Só acho que um país como o nosso, principalmente nos quesitos políticos, mereça mais "demonstrações públicas de afeto". Mobilizando-se em prol de seus direitos. Se o país do carnaval e do futebol dedicaria-se para isso tal e como fez na tarde de ontem? Improvável...

Multidão que foi ao Vale do Anhangabaú (São Paulo-SP), ontem, assistir à estreia do Brasil na Copa.